
A cana doce e mole rola as matas.
Mata, sangra, desce o caldo, dor
(Do)ce delirante nas mãos entumecidas pelo facão.
E a gravata vem e rapa a inocência dura da gente.
Ai, quanta cinza nos olhos!
A fuligem expõe a negritude consumida na fornalha
e entorta, e puxa até alvejar ao fim (nin)guém sobra na boca,
só areia branca, só areia branca...
Ela é doce.
Ela é dura, mas é doce.
Ela é escura, mas clareia.
Rapadura: água mole em rapadura, tanto bate até que vira pó.
E vamos tomar ca(fé) expresso adocicado tipo exportação.
Texto: Jacinto dos Santos
Foto: Marcos Michael (JC)