
A cana doce e mole rola as matas.
Mata, sangra, desce o caldo, dor
(Do)ce delirante nas mãos entumecidas pelo facão.
E a gravata vem e rapa a inocência dura da gente.
Ai, quanta cinza nos olhos!
A fuligem expõe a negritude consumida na fornalha
e entorta, e puxa até alvejar ao fim (nin)guém sobra na boca,
só areia branca, só areia branca...
Ela é doce.
Ela é dura, mas é doce.
Ela é escura, mas clareia.
Rapadura: água mole em rapadura, tanto bate até que vira pó.
E vamos tomar ca(fé) expresso adocicado tipo exportação.
Texto: Jacinto dos Santos
Foto: Marcos Michael (JC)
3 comentários:
muito lindo as mãos da cana ao vento adoçando a seca boca dos homens.
nossa como me identifiquei com esse poema professor... tem um que de mim nele....
Que poema tão exato... me levou de volta para essas estradas que cortam o interior de São Paulo, com suas imensas plantações de cana, e legiões de bóias-frias... Desde criança essas imagens apertam o meu coração.
Gostei muito do seu blog, voltarei outras vezes...
Postar um comentário