
Nenhuma palavra escrita dirá tudo que a alma sente.
Nenhuma palavra escrita falará o que grita o coração.
Nenhuma palavra escrita expressará o sentimento de dor ou frustração.
Nenhuma palavra escrita terá tanta vida quanto o silêncio que reverbera em mim.
Os versos que traço com palavras ingênuas
Se dissolvem na balada do tempo.
Palavra, palavra fácil.
Palavra na promessa perdida.
Palavra que não sustenta a bofetada ofensiva.
Palavra que rabisco histórias vividas
Palavra marcada pela doce lembrança
Palavra que conta tudo do sim e do não
Palavra carregada de emoção
Palavra que rir.
Palavra que chora.
Palavra coberta de razão.
Palavra que vai com palavra de boca em boca dizendo verdades ou ilusão.
Bendita seja, ó palavra, que tudo é sem ser
Encanto, sensação.
Sem tua força não vivo,
Sem tua fraqueza não te escrevo.
Palavra que me atrevo a penetrar nas tuas fissuras
Querendo tocar as tuas vísceras mortas
Achando-te nos meus sonhos
Cantando a lira dos deuses perdidos.
Poema: Jacinto dos Santos
Pintura: Cy Twombly
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